Carolina Maria de Jesus: da miséria à fama e de volta à pobreza

Carolina Maria de Jesus: da miséria à fama e de volta à pobreza


Brasil, 1960 Um livro lançado em São Paulo
dispara na lista dos mais vendidos É traduzido em 14 idiomas e vira best seller
nos Estados Unidos Meu nome é Thomas Pappon, sou repórter da BBC News Brasil aqui em Londres e eu vou contar para você neste vídeo a história por trás do livro
Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, uma mulher que diariamente lutava para dar o que comer aos 3 filhos e deu ao Brasil um de seus maiores sucessos literários no mundo com o retrato
pungente da vida em uma favela de São Paulo 15 de julho de 1955: aniversário da
minha filha Vera Eunice Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela, mas o custo dos gêneros alimentícios nos impede a realização dos nossos desejos Atualmente, somos escravos do custo de vida Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar Quarto de Despejo teve sua primeira edição esgotada em 3 dias As sessões de autógrafos eram disputadíssimas nas livrarias por onde Carolina passava O interesse no livro era enorme, porque trechos já haviam sido publicados antes em revistas 2 de agosto: vesti os meninos que foram para a escola Eu saí e fui girar para arrancar dinheiro Passei no frigorífico, peguei uns
ossos As mulheres vasculham o lixo procurando carne para comer, e elas dizem que é para os cachorros Até eu digo que é para os cachorros Carolina de Jesus foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que estava trabalhando numa reportagem sobre a favela do Canindé,
na época a maior favela de São Paulo O Audálio viu essa mulher discutindo com vizinhos, falando alto, dizendo que iria botar o pessoal no livro dela Ele queria ver o livro A Carolina mostrou a ele os cadernos com o diário, e
ele ajudou ela a publicar o livro Ela tinha 3 filhos: a mais nova Vera
Eunice de Jesus Lima, a única que ainda está viva, tinha 7 anos quando o livro foi lançado Ela contou à BBC News Brasil que a mãe sempre gostou de ler e escrever “Já menina, ela entrou na cena. Já escrevia. E ela assim era uma pessoa
que, quando ela estava andando, as memórias vinham, as ideias vinham, ela
pegava o papel que estivesse perto dela Ou no chão ou papel de pão… Qual for o papel… E sempre tinha uma caneta no bolso, mas, como naquela época a caneta era tinteiro, não era aquela esferográfica, então ela anotava a lápis mesmo e depois ela,
sempre à noite, ela passava nos cadernos dela com a caneta tinteiro mesmo. Cadernos que ela achava no lixo, né? Ou cadernos usados. ela nunca foi de
desperdiçar Mesmo depois que ela se tornou escritora, quando a gente ia na escola e escrevia nos cadernos,
aquele resto de folhas de sobra durante o ano, ela sempre utilizou” Carolina de Jesus nasceu em uma comunidade rural em Sacramento, interior de Minas Seus pais eram descendentes de escravos, analfabetos Ela passou apenas dois anos na escola, mas continuou aprendendo a ler e
escrever por conta própria Em 1937, após a morte de sua mãe,
ela se mudou para São Paulo 10 anos depois, grávida, sem emprego, ela foi morar em um barraco na favela O barraco, na realidade, era precário. Não tinha luz, muito pobre e quando chovia lá, que a gente morava na beira do rio,
inundava os barracos, ficava aquela água Carolina catava papel, garrafas e latas que trocava por moedas e vasculhava no lixo por comida
para suas crianças Seu diário, escrito entre 1955 e 1960,
foi um raro relato sobre a dura realidade
enfrentada por milhares de brasileiros pobres que chegavam às cidades grandes
em busca de uma vida melhor 19 de dezembro: amanheci com dor de
barriga e vomitando, doente, sem nada para comer. Eu mandei o João no ferro velho, vender um pouco de estopa e uns ferros Ele ganhou 23 cruzeiros Não dava nem pra fazer uma sopa. Que suplício adoecer aqui na favela Pensei: ‘hoje é meu último dia em cima da
terra’ Percebi que havia melhorado. Sentei na
cama e comecei a catar pulgas O diário, escrito em linguagem simples e
direta, foi traduzido para 14 línguas, se tornou um best seller nos Estados Unidos
e foi elogiado pelo New york Times, o News Week Magazine e o New York Herald Tribune “Um ensaio sem igual sobre o significado e a sensação de fome, degradação e necessidade” “Um dos mais impressionantes documentos sobre a vida à margem da sociedade já publicados” “Uma crônica devastadora, um dramático documento sobre os miseráveis que ao mesmo tempo choca e toca o leitor” No Brasil, houve uma polêmica sobre a autenticidade do diário O renomado crítico literário Wilson Martins disse que o livro era um embuste que teria sido inventado pelo jornalista Audálio Dantas O próprio Audálio negou
isso veementemente Ele admite, no prefácio de Quarto de
Despejo, que selecionou trechos dos cadernos e suprimiu frases, e só O poeta Manuel Bandeira veio em defesa do Audálio, dizendo que o livro só podia ser da Carolina “Há nestas páginas certos erros, certas impropriedades de expressão,
certos pedantismos de meia instrução… … primária, que são de flagrante
autenticidade, impossíveis de inventar” E nem todos estavam felizes com o sucesso
e o realismo de Quarto de Despejo O diário relata abusos de crianças. Vários dos personagens são descritos como bêbados, adúlteros e adúlteras, homens
que batem em mulher, preguiçosos, vigaristas E eles ainda eram os vizinhos do
barraco de Carolina “Assim que o livro saiu, minha mãe já não
era para estar mais na favela, era para ter saído antes do livro ser publicado,
porque depois virou um inferno lá Ela colocou todo mundo no livro. O pessoal queria matá-la o tempo todo. O dia que nós mudamos mesmo foi debaixo de pedrada. Meu irmão levou uma pedrada no olho. Ela me protegia, de medo das pedras.
Eles ficaram muito revoltados na favela” Mas um dia, finalmente, a família deixou a favela e foi morar provisoriamente na casa de um bem feitor E a vida deles mudou “Assim que saiu o livro, começamos a frequentar restaurantes. A gente não sabia comer A gente comia tudo errado. A gente misturava pão no refrigerante. Fazia uma encrenca e não conseguia comer direito Mas aí a vida da gente mudou bastante” Carolina era convidada para premiações,
universidades, aparecia no rádio e na TV Ela até lançou um álbum em que cantava
as músicas que compôs na favela Famosa, já com quase 50 anos,
ela se mudou com os filhos para Santana, um bairro de classe média alta na Zona
Norte de São Paulo, onde não foi bem recebida “Você imagine: um bairro de classe média alta, chega uma favelada, escritora, mãe solteira, negra, semi-analfabeta, com os filhos todos sem educação tudo recém-saído da favela. Meus irmãos pegavam cavalo, punha dentro de casa e a mãe também pôs muito
mendigo dentro de casa. Todo mendigo que ela achava ela punha dentro de casa. Foi uma confusão eles não aceitavam a gente lá” Seu próximo livro, Casa de
Alvenaria, também era um diário só que, dessa vez, descrevia as suas
experiências, depois de deixar a favela Foi um fracasso comercial.
As editoras perderam interesse nela, e ela teve de publicar por conta própria seus próximos dois livros: um deles, o seu primeiro romance Segundo uma biografia sobre ela lançada em 1995, co-escrita por um historiador americano e outro brasileiro, essa ascensão e queda de Carolina se devem em
parte à sua suposta personalidade difícil e também às mudanças políticas
no Brasil, já que, após o golpe militar de 1964, não havia mais espaço para manifestações que expusessem o enorme fosso entre ricos e pobres no país E com o dinheiro sumindo, Carolina decidiu novamente se mudar “Um dia, 7h da manhã, ela chegou com um caminhão, colocou todo mundo no caminhão e foi embora Não avisou ninguém.
Nem a gente sabia. Aí, esse sítio em Parelheiros ela comprou o dinheiro de um
filme que a gente ia fazer Nós entramos no sítio sem nada: sem
luz, sem piso, sem porta, sem nada… Na terra. E aí meu irmão ficou muito revoltado,
porque tinha o rádio dele, ele não podia escutar, não tinha mais nada… E aí nós passamos muita
dificuldade em Parelheiros, muita dificuldade Ela ficou muito doente” Carolina Maria de Jesus morreu ali, de problemas respiratórios, em 1977, na pobreza Ela foi esquecida por várias décadas Muitos alegam que a falta de sucesso após Quarto de Despejo viria das limitações dela como escritora Há quem diga que seus livros não se
sustentam como literatura Mas, entre seus admiradores, estavam, além de Manuel Bandeira, escritores como Clarice Lispector e o aclamado autor italiano Alberto Moravia, que escreveu o prefácio da edição em italiano de Quarto de Despejo, que chama de “flor incrível e pura” Outros argumentam que esse debate,
talvez interminável e sem resposta definitiva, não torna o livro menos
interessante ou reduz a sua força E desde o centenário de seu nascimento, em 2014, Carolina voltou aos holofotes com uma onda de novas biografias e documentários sobre ela Vários textos nunca publicados vieram à tona, em livros, filmes e peças Alguns de seus poemas foram musicados Quarto de Despejo foi listado como leitura obrigatória para o vestibular de duas importantes universidades brasileiras:
a Federal do Rio Grande do Sul e a Unicamp Sua história chegou a ser
recontada até em histórias em quadrinhos, como essa: Carolina, de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, premiada na França no início deste ano e que ajudou a gente a contar a história dela Este vídeo faz parte de
uma nova playlist da BBC News Brasil A gente destaca aqui histórias incríveis, aquelas que a gente sempre recebe comentários como “dava um filme”, “que história”, que é justamente o nome da playlist Histórias do Passado, como a que contei antes sobre a morte do nazista Josef Mengele no Brasil Ou o vídeo que minha colega Camilla Mota fez sobre o Césio 137 Tem também a da Ingrid Fagundes com o brasileiro que foi o único passageiro a sobreviver a um acidente de avião na França Vale dar uma conferida ali, viu? Gostou? Curte aqui e assina o canal para não perder nada Até a próxima!

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94 thoughts on “Carolina Maria de Jesus: da miséria à fama e de volta à pobreza”

  • Brasil e suas meritocracias: meritocraciafamiliar("Betina"), meritocraciadegoela,meritocraciareversa e meritocraciahereditaria."Difícil" de entender.

  • Vai cair no vestibular da UFT, leitura obrigatória, obrigado amiguinhos britânicos neocolonialistas-imperalistas ;3

  • Antonio Morales says:

    Ela teve mérito sim e sem lei Rouanet mas, de fato não se sustentou por ser escritora de uma obra só e suas limitações; Espero que a família receba pelos direitos autorais dessa redescoberta. Pelo menos não colocaram apenas a intolerância e preconceito da classe média e também de pessoas de sua convivência. Também não acredito na sua derrocada devido ao regime militar, teve sorte é de não ser instaurado o socialismo, comunismo pois aí que nem experimentaria o gosto de uma vida melhor e "esquecem" de uma tal MPB enriqueceu toda uma classe de artistas (inclusive negros) que trataram de criar a "máfia do dendê" e quem não beija suas mãos não consegue entrar no mercado até hoje mas, aí essa estória não combina com o discurso "antifascista lacrador" …..

  • Em toda minha vida de estudante nunca ouvi falar sobre esse livro. O governo militar e a mídia escondendo a realidade do país.

  • Show BBC!
    Gostei do formato do programa e, em especial, do conteúdo apresentado… Um tipo de vida que está tão longe e ao mesmo tempo tão perto de nós.

    Aqui agradecida e ansiosa por mais notícias-histórias tão bem editadas e apresentadas!

    Abraços.

  • Imagino que poucos entendam a importância desse tipo de relato. Olhe em qualquer época e não verá nenhum relato detalhado da vida de pessoas muito pobres.
    Tem um valor histórico imenso.

  • Porque ainda hoje não se fala dela nas escolas ?
    Uma genialidade condenada pelo sistema político!

    Sou desendente de escravos e sou monarquista !

  • Pink River Dolphin says:

    Que grande trabalho. Obrigado, Thomas. Viva Maria Carolina! ("não é literatura", aliás, é o caralho) Vivam os negros e pobres do Brasil, que ainda há de voltar a ser generoso com eles. Quantas Carolinas até a justiça social?

  • Carolina Maria de Jesus, uma mulher extraordinária que o Brasil ainda não descobriu, o que teria acontecido com os seus descendentes…

  • Priscila Silva says:

    Acho que essa discussão sobre quarto de despejo ser ou não literatura é tão cansativa… Quanto e o que é preciso pra que uma obra ganhe status de literatura?

  • Essas publicações todas.. ganharam bastante dinheiro em cima dela e dos filhos. Aproveitadores e oportunistas é o que nunca falta.

  • Vitória Moreira says:

    Oi! Thomas, estava com saudades de você 😁. Eu, estudei nos anos 2000 em um renomado pré vestibular de MG, onde o livro da Carolina, foi tema sim do vestibular da federal de Minas. O autor de fato muda sim alguns trechos é notório ao ler, mas não diminui em nada o feito da autora. Tantos anos se passaram e a vida de tanta gente ainda é um espelho da vida dela. Fiquei feliz pq não sabia sobre o fim dela nem as reviravoltas da vida. Gostaria de saber quantos filhos ela teve e o que se tornaram,pois o vida pelejada. Adoro seu trabalho assim como das demais colegas. Bjs carinhosos e até o próximo trabalho.

  • Carolina Sofia says:

    Mais uma reportagem incrível e impecável da BBC brasil! Obrigada por nos trazer um conteúdo de tanta qualidade!

  • Ou seja o Brasil de sempre. Os ricos ou aqueles melhores de condições não se sente confortável em sabe q o seu próximo tá feliz! Qualquer sinal de melhoria da sociedade é de certo modo ruim.

  • Fernando Henrique Monteiro says:

    Obrigado pela dica de leitura pessoal. Fiquei envergonhado de não ter conhecido a história dela anteriormente. Vou buscar a obra e ler.

  • Ótimo reportagem! Talvez outra história que “daria um filme”, ou melhor, um livro digno de Gabriel Garcia Marquez, seja a do gatilheiro Quintino Lira, que viveu no Pará.

  • Hélio Buratto says:

    Alô BBC. Contem as histórias de milhões de brasileiros descendentes de a alemães, italianos, japoneses, russos, judeus, libaneses, etc, etc que trabalharam e trabalham à exaustão desde um começo miserável até alcançarem um nível socioeconômico e cultural dos dias de hoje
    Tudo isto sem chororô…

  • alexson marques says:

    Quarto de despejo faz lembrar um pouco do tipo de literatura de Charles Dickens, imagina se essa mulher tivesse tido acesso à uma escola de qualidade e pudesse ter acesso aos clássicos?

  • Lilian Rodrigues says:

    Li a primeira vez "Quarto de despejo" aos 12 anos e já naquele momento a realidade cria me impactou. Anos depois, já adulta reli e nunca deixei de me emocionar com ele. Carolina merecia todo o reconhecimento.

  • Fiquei muito tocado pela história e chocado por não conhecer a obra, sendo mestre em Letras, egresso da USP e do Mackenzie. É bom saber que a obra e a memória de Carolina estejam sendo recuperadas!

  • Adnalvo Carvalho says:

    Parabéns por mostrar ao mundo que, dos relatos mais pobres, há histórias de sucesso. A história de negro sempre foi do sofrimento à tragédia, a história de Carolina de Jesus mostra o quanto há gente importante nas favelas e margens da sociedade que só precisam de oportunidades.

  • A filha dela lmente. Entrevistem a quem morava ou mora lá ainda. E não era Clase Média Alta. Era muito baixa e pobre e todos se levantavam de madrugada e elal não deixava ninguém dormir porque passava a noite ouvindo Bandeirantes a Dona da NOite…… e ainda bateu num negro empregado dela jogando latas dágua na cabeça dele

  • Francisco Silva says:

    Quantos relatos existem de camponeses do antigo Egito? Quantos relatos existem de proletários do Império Czarista Russo? Quantos trabalhadores braçais da Idade Média descreveram, eles próprios, suas vidas? Carolina de Jesus redime todos os trabalhadores marginalizados do mundo, li e reli seu livro claustrofóbico. Se o memorialista se chamasse Casanova, ou Anais Nin, ou Zélia Gattai , ninguém iria estar debatendo os "dotes literários ficcionais" desses monstros das letras. O livro dela é bom. É forte. É único. É é ESSENCIAL. Tudo o mais a ser dito, não passa de preconceito. De todos os tipos…

  • Ainda não li, mas esse pouco da obra parece tão surreal de impactante que se esquece que é um diário, baseado em fatos reais. No Brasil, ainda existem muitas Carolinas infelizmente.

  • Sr. Pappon, teu jornalismo é incrível. Obrigado por nos mostrar a história daquele diário. Diários costumam ser leituras desejavelmente fortes.

  • Julio Cesar S R says:

    Li recentemente o Livro Quarto de despejo, é um soco no estômago.
    A tristeza desse livro é saber que não é ficção e infelizmente não está desatualizado.

  • Aline Lima da Silveira Lage says:

    A escola de meu filho recomendou a leitura. Mas eu estou lendo antes. o Museu AfroBrasil de São Paulo fez uma linda exposição sobre ela. Eu a visitei antes de ler. O que impressiona também é a atualidade do seu relato, em especial no tocante à política. Obrigada pelo vídeo.

  • Gente o que dizer de uma reportagem dessa? -Parabéns BBC!

    Dona Carolina, um exemplo de mulher e com certeza um ótimo livro de uma dura realidade.

  • Thiago Nobrega Franhan says:

    Fantástico.
    Pena que assim como o Museu Nacional no RJ, nós perdemos nossas relíquias de forma reticente, ou por descaso ou por ignorância.

  • Até esta data, 11 de julho de 2019, não conhecia a história dessa mulher tão forte e que viveu uma realidade que muito se assemelha a da minha infância. Pelos relatos da reportagem, muitas pessoas não entenderam que não se tratava apenas de um relato documental, mas era a terapia que era possível a ela. Imagine você ter diversos problemas e não saber com quem dividir e ainda ter de ser forte porque seus filhos estão na tua dependência. Eu por muitas vezes, por não conseguir confiar nas pessoas, escrevi o que se passava, o que sentia, principalmente as coisas ruins.
    Os relatos dessa mulher tocam a alma de uma forma tão avassaladora que é impossível não se emocionar. Os anos podem ter passado, mas a realidade daquele passado ainda é o presente de muita gente.

  • Aos 9:18 A BBC dá uma BARRIGADA ao dizer que o 'Golpe Militar' impediu manifestações (como o Livro 'Quarto de Despejo’ ) que revela a miséria de parte dos Brasileiros

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